Bordados e rendas tecidas pelo fio das palavras. Força caudalosa do pensamento que esparrama fantasmas. Água doce em fartura e fome, medo e paz.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Máscaras
Procurei minha máscara por todas as gavetas,
por prateleiras, armários, carteiras.
Por fim, olhei, espelho por espelho,
Mas tampouco ela estava em meu rosto.
Então, virtudes e vícios declarados,
Olhei-me novamente, atentamente,
Mirei com extremada atenção
Cada centímetro, cada milímetro de minha alma,
E, sinceramente, dei-me conta,
De que sou melhor de cara lavada.
por prateleiras, armários, carteiras.
Por fim, olhei, espelho por espelho,
Mas tampouco ela estava em meu rosto.
Então, virtudes e vícios declarados,
Olhei-me novamente, atentamente,
Mirei com extremada atenção
Cada centímetro, cada milímetro de minha alma,
E, sinceramente, dei-me conta,
De que sou melhor de cara lavada.
sábado, 8 de setembro de 2012
Tramas de Lã
Ponto a ponto, nó a nó,
Fios criam forma e crescem
Em volume e tamanho
E densidade e largura,
E altura e cumprimento,
E as cores se misturam,
E cada ponto a mais mistura outra cor.
E a beleza assincromática
Das misturas inusitadas e despudoradas
Em nada formais nem recatadas
A imperiosa necessidade de seguir
Tramando fios de lãs
Nas misturas nada aleatórias
Que me faz varar noites
E fraudar dias e destroncar pulsos
Na construção destes panos únicos
Que, ao menos a mim,
Encantam como se fossem
Tramados únicos e intransferíveis
De todas as minhas lembranças.
Fios criam forma e crescem
Em volume e tamanho
E densidade e largura,
E altura e cumprimento,
E as cores se misturam,
E cada ponto a mais mistura outra cor.
E a beleza assincromática
Das misturas inusitadas e despudoradas
Em nada formais nem recatadas
A imperiosa necessidade de seguir
Tramando fios de lãs
Nas misturas nada aleatórias
Que me faz varar noites
E fraudar dias e destroncar pulsos
Na construção destes panos únicos
Que, ao menos a mim,
Encantam como se fossem
Tramados únicos e intransferíveis
De todas as minhas lembranças.
sábado, 1 de setembro de 2012
No Lado Escuro da Lua
Para ela olhamos, e alimentamos a alma
De beleza e temor, de incerteza e amor.
E de longe, tão longe, tão bela parece.
E tão séria se mostra ou farta de nós
Quando teima em sumir e levar toda luz.
Quando arranca violenta do leito as marés
Quando brota da terra as sementes perdidas
Quando se despudora, cheia, derramando luz
por cidades, campos, mares, matas, tudo.
Daqui, só lhe vemos os caprichos e a formosura.
Sem pensar na fatalidade de,
Quem sabe um dia,
Fazer-lhe parte da paisagem selvagem.
De beleza e temor, de incerteza e amor.
E de longe, tão longe, tão bela parece.
E tão séria se mostra ou farta de nós
Quando teima em sumir e levar toda luz.
Quando arranca violenta do leito as marés
Quando brota da terra as sementes perdidas
Quando se despudora, cheia, derramando luz
por cidades, campos, mares, matas, tudo.
Daqui, só lhe vemos os caprichos e a formosura.
Sem pensar na fatalidade de,
Quem sabe um dia,
Fazer-lhe parte da paisagem selvagem.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Salto
É hora de despedidas,
Como se fosse a virada
Da carta de foice do tarot.
É hora de mudança.
Jargão batido mas sempre atual,
Hora de trocar a confortável dor
Pelo sabe-se lá o que.
É hora de pular no vazio.
Na verdade, é hora de pular do vazio
E pisar outra vez na realidade.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Calma
Esta insanidade mascarada,
Esta maldita calma almejada,
Esta raiva disfarçada e quieta
Só espreita, esperta,
O momento de burlar a porta
Disparada marcha deslizada
Por balizas, muros, grades,
E desmanchar-se no arenito
Grosseiro e poeirento de
Acostamento esquecido
Das alegrias desusadas.
Esta maldita calma almejada,
Esta raiva disfarçada e quieta
Só espreita, esperta,
O momento de burlar a porta
Disparada marcha deslizada
Por balizas, muros, grades,
E desmanchar-se no arenito
Grosseiro e poeirento de
Acostamento esquecido
Das alegrias desusadas.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Colagem
Parede compartilhada em água,
um sonho vermelho e verde
se esfarela em pegadas
nunca dantes navegadas
em tardes de sol.
Qualidades da incerteza
de dias felizes,
daqueles rememoráveis
em anos sombrios.
um sonho vermelho e verde
se esfarela em pegadas
nunca dantes navegadas
em tardes de sol.
Qualidades da incerteza
de dias felizes,
daqueles rememoráveis
em anos sombrios.
Três Cães
Três cães,
Cachorros.
Três cães, não uma cadela e dois machos.
Três cães sem raça,
Em fila,
Despreocupadamente adentrando
O mato rente à Lagoa,
Sem pressas nem pudores nem
Preocupações.
Três cães.
Cachorros.
Três cães, não uma cadela e dois machos.
Três cães sem raça,
Em fila,
Despreocupadamente adentrando
O mato rente à Lagoa,
Sem pressas nem pudores nem
Preocupações.
Três cães.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Diagnóstico
Minha razão, por vezes se perde
em coisas tipo à-toa.
Em dúvidas inventadas,
Entrelinhas desconexas
Das frases nunca escritas.
Razão avariada por sinais ocultos,
Pesadelos inofensivos
E mágoas rasas.
Minha razão desconcerta-se febril
Frente a constatação inóspita
Da recorrente visita da paixão.
em coisas tipo à-toa.
Em dúvidas inventadas,
Entrelinhas desconexas
Das frases nunca escritas.
Razão avariada por sinais ocultos,
Pesadelos inofensivos
E mágoas rasas.
Minha razão desconcerta-se febril
Frente a constatação inóspita
Da recorrente visita da paixão.
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