Lampião e Maria Bonita entraram no brete,
contra a vontade dele.
Dizia Lampíão: Perdeste a cabeça, Maria?
E ela, contrariando Virgulino, corria.
Parecia a única saída, mas como Lampião dizia,
Brete sem saída é ratoeira.
Ambos perderam a cabeça.
Bordados e rendas tecidas pelo fio das palavras. Força caudalosa do pensamento que esparrama fantasmas. Água doce em fartura e fome, medo e paz.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
sábado, 18 de outubro de 2014
Minhas mãos
Observo minhas mãos tecendo.
Pintando, esculpindo, criando.
Tento entender qual a ligação
De minhas mãos com minha vontade,
E sconstato, consternada,
Que inclusive ao escrever,
Minhas mãos são totalmente autônomas.
Pintando, esculpindo, criando.
Tento entender qual a ligação
De minhas mãos com minha vontade,
E sconstato, consternada,
Que inclusive ao escrever,
Minhas mãos são totalmente autônomas.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
A chuva de Hoje
Hoje choveu muito.
Hoje choveu muito e choveu forte.
À semelhança das pancadas de verão,
Aqueles aguaceiros de meia hora
seguidos pela volta rápida do sol.
Hoje a chuva veio com estranhamentos.
Bordoadas com rápidas estiadas,
E mais água,
Céu de cachoeira desaguada,
Tambores celestes repetitivos.
Coriscos sincrônicos
lumearam a madrugada,
Invadiram o claro-esmaecido do dia,
que mais pareceu fim-de-tarde.
Veio a noite, e chove ainda.
Chove muito, e forte.
Madrugada, dia, noite,
Agora já outra vez madrugada,
E chove muito,
Está chovendo muito, e forte.
Hoje choveu muito e choveu forte.
À semelhança das pancadas de verão,
Aqueles aguaceiros de meia hora
seguidos pela volta rápida do sol.
Hoje a chuva veio com estranhamentos.
Bordoadas com rápidas estiadas,
E mais água,
Céu de cachoeira desaguada,
Tambores celestes repetitivos.
Coriscos sincrônicos
lumearam a madrugada,
Invadiram o claro-esmaecido do dia,
que mais pareceu fim-de-tarde.
Veio a noite, e chove ainda.
Chove muito, e forte.
Madrugada, dia, noite,
Agora já outra vez madrugada,
E chove muito,
Está chovendo muito, e forte.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Hora de Lutar!
Estes momentos de luta,
Estas horas de suar e sofrer,
Enxergar a verdade e o absurdo,
E a doença dos que prederem
Entregar suas vidas e futuros
Aos assaltantes midiáticos
Para depois, seguir reclamando
E reclamando, ofendidos
De tudo o que pediram
Sem saber o caos
Que lhes seria presenteado,
Conforme sua infeliz
Obtusa e irresponsável
Vontade.
Desde há muito aqui estou:
Defendendo com garras
Com força e com gosto,
O futuro que acredito.
É impossível sonhar
Impossível, para mim,
A plena felicidade,
Se meu país e estado
sofrerem a desgraça
De perecer e apodrecer
nas teias podres
Do neoliberalismo.
Estas horas de suar e sofrer,
Enxergar a verdade e o absurdo,
E a doença dos que prederem
Entregar suas vidas e futuros
Aos assaltantes midiáticos
Para depois, seguir reclamando
E reclamando, ofendidos
De tudo o que pediram
Sem saber o caos
Que lhes seria presenteado,
Conforme sua infeliz
Obtusa e irresponsável
Vontade.
Desde há muito aqui estou:
Defendendo com garras
Com força e com gosto,
O futuro que acredito.
É impossível sonhar
Impossível, para mim,
A plena felicidade,
Se meu país e estado
sofrerem a desgraça
De perecer e apodrecer
nas teias podres
Do neoliberalismo.
domingo, 12 de outubro de 2014
Registro de sentimentos
Sentimentoss, emoções,
pensamentos e feitos.
Pesssoas e coisas e fatos,
Eu, tu nós,
Seres,
Sabe-se lá
Em que
Tempo,
Quem,
Quando entendemos,
Por fim, quando,
Deixaremos de ser
Reféns indecisos
Da indecisão
Dolorosa
De nosso pensamento.
pensamentos e feitos.
Pesssoas e coisas e fatos,
Eu, tu nós,
Seres,
Sabe-se lá
Em que
Tempo,
Quem,
Quando entendemos,
Por fim, quando,
Deixaremos de ser
Reféns indecisos
Da indecisão
Dolorosa
De nosso pensamento.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Entendendo a Mudança
Estas frações de pura indecisão
São leves.
Decisões, sim,
Pesam.
Até o momento
Em que entendemos
O acerto do risco,
E respiramos nada aliviados,
Ao descobrir
Que inclusive
Decisões necessárias,
incontestes,
Carregam junto
A incompreensão
E a intolerância
Dos que sequer cogitam
Arriscar e mudar.
Aí as pequeninas frações de indecisão
vão nos explicando,
Passo a passo,
A necessidade de rever
Inclusive aqueles dogmas intocáveis,
Que fazem de algumas vidas
Um tormentoso e infrutífero
Celibato.
São leves.
Decisões, sim,
Pesam.
Até o momento
Em que entendemos
O acerto do risco,
E respiramos nada aliviados,
Ao descobrir
Que inclusive
Decisões necessárias,
incontestes,
Carregam junto
A incompreensão
E a intolerância
Dos que sequer cogitam
Arriscar e mudar.
Aí as pequeninas frações de indecisão
vão nos explicando,
Passo a passo,
A necessidade de rever
Inclusive aqueles dogmas intocáveis,
Que fazem de algumas vidas
Um tormentoso e infrutífero
Celibato.
domingo, 31 de agosto de 2014
Ousadia
O desatino é automático.
O infortúnio não é meu.
Apostei nas cores todas
Contidas em simples canto,
Minha é e será
A felicidade
Possível.
Desprezo os rituais
Decorados,
Os cantares repetidos
Sem que o declarante os sinta.
Volto a ser minha, eu.
Algozes e vitimas
Não me cheiram bem.
A vida roubada
Devolvi-a a mim.
O infortúnio não é meu.
Apostei nas cores todas
Contidas em simples canto,
Minha é e será
A felicidade
Possível.
Desprezo os rituais
Decorados,
Os cantares repetidos
Sem que o declarante os sinta.
Volto a ser minha, eu.
Algozes e vitimas
Não me cheiram bem.
A vida roubada
Devolvi-a a mim.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Corrido para Mestre Guto
Vem prá roda brincar
Angolaê
Vem prá roda tocar
Angolaê
Berimbau tá chamando
Angolaê
Forte axé contagiando
Angolaê
Vim aqui aprender
Angolaê
Vim prá ver mandingar!
Angolaê
Ver quem sabe jogar
Angolaê
Jogo arteiro e feliz
Angolaê
Mestre Guto chamou
Angolaê
Me chamou prá jogar
Angolaê
Africanaé a mente
Angolaê
Vem prá roda jogar
Angolaê...
Angolaê
Vem prá roda tocar
Angolaê
Berimbau tá chamando
Angolaê
Forte axé contagiando
Angolaê
Vim aqui aprender
Angolaê
Vim prá ver mandingar!
Angolaê
Ver quem sabe jogar
Angolaê
Jogo arteiro e feliz
Angolaê
Mestre Guto chamou
Angolaê
Me chamou prá jogar
Angolaê
Africanaé a mente
Angolaê
Vem prá roda jogar
Angolaê...
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Abraço da Estrelinha
Passei o dia hoje
e assim me mantive até agora, noite,
Esperando por algo
Que não sabia bem o que,
de onde, por quem.
Agora entendi:
O que me faz falta
o que me acolheria,
Aos outros poderá - e parecerá -
impossível:
O abraço afetuoso
De uma das tantas estrelinhas
Que iluminam meu céu.
e assim me mantive até agora, noite,
Esperando por algo
Que não sabia bem o que,
de onde, por quem.
Agora entendi:
O que me faz falta
o que me acolheria,
Aos outros poderá - e parecerá -
impossível:
O abraço afetuoso
De uma das tantas estrelinhas
Que iluminam meu céu.
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