segunda-feira, 30 de março de 2015

Tempos Estranhos

Em tempos tão incertos,
Eis que começo a revisar
Todos os meus conceitos
Inclusive os dogmas
(o inimigo de meu inimigo é meu amigo)
estão desmanchando.
Meu porto seguro continua, então,
localizada em minha obstinação
da resistência constante,
naquilo que me constrói
a noção de racionalidade.

sábado, 14 de março de 2015

Agraciada

O cheiro da matéria
de que são feitos meus sonhos
trouxe notas de tua alma.
Devorei, serena, cada grão desta poeira,
depois me espreguicei,
suspirei
e guardei a saudade
embaixo do travesseiro.

terça-feira, 10 de março de 2015

Tempos de Ódio

Ares pesados,
Lua escondida e de pouca luz.
Densidade por tudo
Denso tudo,
Pesados pensamentos acuando
Qualquer tentativa de sorrisos.
Tempos pesados,
denso este ódio,
Tormentosa raiva e sede de dor.
Estrelas escondem-se nos céus
Acuadas pelo desatino humano
dolorosa dor derramada
de onde e de quando sabe ninguém,
enquanto consome, faminta,
os restos de razão e humanismo.
E alimentada desta violência,
rouba, com impressionante velocidade
destes homens possuídos,
quaisquer resquícios de raciocínio e alma.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Castelo de Areia

Castelo para areia nenhuma apresentar queixas.
Sólida construção, calculadamente projetada,
Estrategicamente localizada
E protegida das inconveniências corriqueiras.
Preservada inclusive de alguma súbita maré
Ou da indisciplina computada em riscos.

Castelo de areia traçado em minúcias,
Pensado em detalhes e executado
Com a mais cirúrgica das precisões.

Desfigurado castelo de areia
protegido contra a audácia de ondas afoitas,
Crianças pouco disciplinadas,
Abrigada de ventos e chuvas e maresias.

Como será o convívio com quem o construiu?

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Caiu.

Ele sempre diz.
Agora,
Eu quero dizer.
Agora,
Ele não quer ouvir,
Ele não vai ouvir.
Eu não vou
Insistir.
Vou dormir.
Amanhã,
Tudo novidade.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Quebrando Paradigmas

Depois de décadas de fidelidade,
Não estarei à beira da Lagoa para entrar o ano.
Sigo a consciência e me embalo
Até a cidade-avião de vôo rasante.
Garantir o motivo da eterna luta:
Democracia e Liberdade.
Na volta,
Esbaldarei nas águas barrentas e mornas
da Lagoa-Mãe.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Não são meus

Não entendo muito bem os acordos das estações
Com as necessárias modificações.
Na verdade, a antecipação da faxina
Nem sempre anual,
Dos fantasmas escondidos.
Imiscuídos em lãs, papéis, lembranças,
Fotos perdidas, cdos arranhados.
Calhou.
Raro sincronismo.
Soltaram-se as amarras e as dores cessaram.
Não nos é lícito adoecer
Por atos alheios, Medos e incertezas alheias,
necessidades fisiológicas alheias.
Estão libertos, todos,
Tomara queiram ser lives.

sábado, 8 de novembro de 2014

Falando no ICS

Algumas amigas e amigos,
Notadamente daquele povo se se ferrou junto
No inferno Chamado FEBEM,
Tem o mesmo efeito de
oxigênio com fogo.
Dá uma vontade danada
De conversar, reclamar,
De segurar,m muitas vezes.
MAtar saudade - Sobrou muita.
Martinha, Flávia, Heloísa,
Graça, Olímpia.Jeanice,
A Mirna no ICM.
(só chamei as meninas por prudência)
Coincidências, nem sempre boa,
Encontros tristes, dolorosos.
Como na morte de nosso colega Paulão.
E a tia Vera da 14.
E mais muita gente que nunca mais,
Gente querida, saudosa,
Outros, nem tanto.
E os que só passaram por lá.
Saudade é muito grande...

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Horário de Verão

Tenho dificuldades
Com o horário de verão.
Cada vez que chega a noitinha,
Logo penso em tomar
Uma cerveja contigo...
Jogar conversa fora,
Falar mal dos cinamomos,
discutir um pouco,
Para não perder o tranco.
Mas não te encontro...




segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sem Saída

Lampião e Maria Bonita entraram no brete,
contra a vontade dele.
Dizia Lampíão: Perdeste a cabeça, Maria?
E ela, contrariando Virgulino, corria.
Parecia a única saída, mas como Lampião dizia,
Brete sem saída é ratoeira.
Ambos perderam a cabeça.