segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Obstáculos

O que pensou Adriano ao dividir a Bretanha
Quando ergueu a gigantesca muralha?
Não, não creio que pensava apenas
Em demarcar territórios.
O que pensavam os castelões
Quando cavavam fossos
No entorno de suas fortalezas?
Duvido que só cogitassem evitar ataques.
A Grande Muralha da China
Foi e é muito, muito mais
Do que uma cerca impeditiva aos indesejáveis.
E assim são meus desafios.
Agora que me cercam por todas as frestas,
Agora que reconheço-lhes o cerco constante e inexorável,
Finalmente descubro deles a missão:
Fazer de mim a fortaleza que sempre sonhei
Mas nunca pensei poder alcançar.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Certezas

Começam a acontecer determinadas previsões
Não bem ao modo que as vi ou imaginei,
Sou surpreendida por atalhos lógicos,
Aliados não previstos e muito bem-vindos.
E a cada vez que a imensidão da luta
escurece a tarde com desânimo - Luz!
Venta logo a brisa forte, enovelando
fagulhas de energia, força e determinação,
acalentadas pela certeza da vitória e razão.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Gerras e Batalhas

Não, as guerras maiores não são as disputas alardeadas.
As guerras políticas são só as mais nojentas, abjetas,
sã as mais inescrupulosas, as mais cruéis.
São as guerras mais degradadas, as guerras tradicionais.
As guerras por território, por petróleo,
por repressão e intromissão.
Mas existem, como um alelo destas guerras públicas,
As guerras construídas a partir de nossos desejos,
Batalhas variadas em intensidade, valor e jogo.
Vaidade rasgando os caminhos precisos
Avareza vencendo princípios confuso,
Medo por respeito, favor por afeto.
Batalha diária do animal vencendo o homem.
Batalha diariamente entregue por seres humanos
Aos animais que se abrigam em suas almas.


domingo, 5 de janeiro de 2014

O engano

A dor da alma
Quando desperta
Do engano sentido
Atravessa ferina
A confiança certa.
Alma doída,
Mágoa derramada,
Marrom alvorada,
Lua cheia sem luz.
A dor da alma
O afeto inventado,
Verdade que os olhos
Não podem mirar.
Alma derramada em enganos,
Mágoa da falsa amizade,
O que era sangue de espírito
Convertido em ácido.
Perder um amigo
É perder um tantão de certezas,
Não tivera eu, outros,
Perderia a crença
E a fé na verdade.
Um se foi,
Mas outros, menos cruéis
Estão em minha volta
E secam minhas lágrimas.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A Geração que não Enxerga Estrelas

A geração que não vê estrelas,
Acostumadas a cuidar seus passos,
Para quem não foi ensinado o céu,
Furtados de olhar constelações.
Geração de últimas escolhas.
Carontes cobrando passagem,
Moedas faltantes impeditivas.
Hades, Valhala, Avalon, Céu.
Esta geração triste e cega
Desconhece o céu.
Ignora estrelas, constelações.
Esta geração não crê
Em estrelas cadentes,
Em almas, elementais e em emoções;
Pensa apenas nas sensações,
Esta geração que foi esquecida
E que se faz esquecer de ser ensinada,
E que vaga aos magotes
Com seus cantos tristes,
Sexo, crime, vingança e dor.
Esta geração não quer ouvir
O que podemos lhe contar.
Não quer aprender o que desconhecem.
E não sei se temos nós
Direito de insistir
Em lhe mostrar constelações.


sábado, 14 de dezembro de 2013

Paranaué sob a ótica feminista

Muita gente andou falando
Que a Capoeira eu deixei
Eu bato meu pé bem firme
Olufé eu sempre amei, paraná

Paranauê, Paranuê, Paraná

Volto prá cá bem feliz,
Nesta terra me formei
Vim de volta prá ficar
Olufé é meu llugar, paraná

Muita coisa já vivi
Muita coisa ensinei
Mas também muito aprendi
Que lealdade é minha lei, Paraná

Lá no céu tem três estrelas
todas três de carreirinha
Uma minha, outra é sua
E outra vai ficar sozinha, Paraná

Oi guri, casa comigo
que eu prometo te cuidar
De dia, eu que trabalho,
Noite tu vai trabalhar, Paraná

Eu me irrito quando escuto
Homem falando de mulher
Comparando com galinha
Sem saber o que ela quer, Paraná

Tem mulher interesseira,
Tem homem que não enxerga
Estes sim, merecem chifre
Prá largar esta soberba, paraná



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Granizo

Já passa da noite,
Quase chega a meia noite,
Mas até agora
Ainda soa em meus ouvidos
A música do granizo
brincando com meu telhado,
As pequenas gemas preciosas
D'água mostrando-se em fantasias.
Pesam pouco,
Não ferem,
E consigo pegar algumas nas mãos
Elas tentam escapar da teia de dedos,
Mas não escapam de minha boca voraz
E enquanto engulo sseu frio
Sinto-me revigorada
Por generosa poção mágica
Que só a água do céu poderia ser.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Valorando

A madrugada, curiosa,
Pergunta-me o que faço em seu tempo.
Olho a lua, respondo.
Minto.
Escrevo, rabisco,
Remexo velharias
que me imploram pelo esquecimento.
De pouco em pouco reviro baús,
Gavetas ignoradas,
Cheias de inutilidades históricas.
Resolvo fechar os olhos,
E em pleno surto de perversidad
decidida que estou
Desprezo guardados
Um dia preciosos,
Resolvida a separar das relíquias
Gigantescas sobras de sentimentalismo.



Tarde de Sol

Era sol, beira-d'água, calor,
Era tarde de sol,
Eram quatro meninos.
E eu apareci sem aviso,
Fiz do violão alheio meu alento,
O sol da tarde me presenteando com aqueles quatro meninos,
De quem nem os nomes lembro.
Inesquecível mesmo são
Aqueles quatro sorrisos,
Aquela empatia mágica
Que somente as Ondinas da água doce,
raramente e para poucos,
Permitem acontecer

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Noite mistério lua,
Chuva tempestade, noite.
Escassas luzes,
Vistas de muito longe,
Diminutas faíscas,
Estrada negra e sem fim.
Noite castrada sem lua,
Estrada inerte,
Suplicando lua e luz,
Rasgada por trovões e raios.
Estrada arredia,
Lua embretada em nuvens,
Mistérios reticentes em fagulhas.
Mato rasteiro enovelando
Um ou outro poste teimoso,
Apenas eu insisto na fraca luz

Única lança a perfurar fantasmas.