quinta-feira, 5 de abril de 2012

Boff

Encontrei agora um texto de Leonardo Boff. Comi-o com olhos, coração e alma.
Mais substancioso que meses de meditação e pesquisa.
Compartilho-o:
http://leonardoboff.wordpress.com/2012/04/05/la-liberacion-a-la-luz-de-la-nueva-cosmologia/
Deliciem-se. Bom banquete!

Fim de caso



Tudo agora, tão pouco e nada.
Paramos onde nossos estribos calados...
Seguiram mortas nossas vozes roucas
Calaram secos nossos passos poucos.
Acumulam-se horas,
Perderam-se dias.
Ficaram de fora
Apenas os gemidos do vento cruzado,
Enovelando nuvens na noite escura
Dos dias pardos de nossa vida.

Cauda de Rio

Não tem novidade, não tem brevidade,
mesmo que tivesse, de nada valia,
futuro é escasso, constante é ocaso,
são pardos os dias, fugiu alegria.
Não por gostar do frio, mas por tanto
te-lo em minha vida, acostumei.
Frios, ventos e nuvens carregadas
compuseram meu pensamento
e a mim deram forma e vida.
Os dias de sol, brilhantes e desassossegados,
dias de luz intensa e calor palpável,
são como doces em redomas invioláveis.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Estações

Porque mexer agora,
estas horas,em mofos passados?
Se a brisa morna e mole do verão não logrou sacudir os fantasmas amorfos,
o vento crescente do outono que chega
completará a tarefa iniciada, carregando as sombras chorosas
que já não mais me consinto ladear.
Breve, virão os ventos fortes do inverno caudaloso,
encrespando águas e dando voz aos gemidos de almas seculares.
Breve, a brevidade da agonia cederá
ao toque manso da serenidade.
O inverno sempre prenuncia a trégua da primavera.
Breve, a suavidade de sementes germinando
estancará a sangria dos medos.
E a cada pouso-instante de um sabiá sorridente
nos galhos descarnados dos cinamomos urbanos,
um beijo de vida sorrirá em nossas faces descrentes,
prenunciando a utopia das possibilidades,
somente permitida aos nascituros das novas estações.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Cruzeiro do Sul

Linda é a noite em minha cidade.
Ruas, casas.
Sinaleiras em avenidas, gatos vadios.
Apartamentos distantes piscando luzes.
Bares, calçadas, vazios.
No céu da noite de minha cidade
estrelas exclusivas
guiam os distraídos.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um amontoado de coisas.
Um poeta falou das aves que aqui gorjeiam,
que não gorjeiam como lá.
Aqui é lá?
Outro disse que estava sentado em sua cama,
tomando seu café para fumar.
Os dois são poetas?
O que é poesia?
Quem é poeta?
Quem chora dores?
Quem louva as paixões?
Quem fala de amor é poeta?
Estas horas,
espio meu coração, a tentar
escapar pela boca,
Fujão que é.
E o prendo na respiração ofegante
de quem sabe da vida
o sentido da dor.
Com um pouco de poesia
Pela paz que nunca terei.

domingo, 17 de abril de 2011

E nós, agora, aqui, meu amor!

Olhos abertos no relógio!
Vens, não vens, não vens, vens, não vens!
Se vieres será como se fosse
quando era apenas uma dor apenas,
uma dor qualquer.
quando as coisas todas se
repetem repetindo novamente - Miragem!
Te armo e te desarmo,
prá depois de tudo
te dizer o que
que te quero e não sei o que quero,
mas sei que estás em meus sonhos e mãos,
querendo ou não,
tornaste-te meu.
Te quebro a resistência enquanto digo
as coisas todas
que não sei porque
porque as coisas que me envolvem
te trazem claras,
me cobrando as coisas
que não sei ´por que.
não sei.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Meus Sonhos

Inda se meus sonhos
virassem pesadelos,
continuariam a ser sonhos.
O pior é ver
que eles se esfumaçam
e deixam só rastros
de uma matéia porosa.

meus sonhos se desmancham
pelos caminhos perversos
de tudo aquilo
em que sempre denunciei
na prática daqueles
em que nunca acreditei.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lobos

Cães são assustadores,
Nem toda a convivência com os humanos
consegue tirar deles o lobo.
Nem toda a comida.
Nem toda a maldade.
Nem mesmo quem quer
transformá-los em gente
não arranca de sua alma
o lobo majestade
que primeiro matou,
o lobo franzino que se rendeu
para poder comer,
Nem sua alma consegue
negar os uivos
que acordam as luas cheias
E que lembram os astutos,
os que não viraram cães.
os que teimam em viver
como bons lobos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Nós

Aqui, agora, nós dois.
Sem sentidos esmiuçados,
Sem intenções acobertadas.
Sem cordões invisíveis
A prender  corpos.
Agora aqui nós dois,
Por pura vontade,
Por pura  necessidade
De apenas
Nós dois aqui
Por estas horas da manhã
E de do conforto de mãos que
Não se tocam
Por não ser necessário.
Nós aqui,
Desafiando o limite do tempo,
Sem saber da lua se é cheia,
Sem saber do amanhã o que virá.
Nós aqui sem o sexo da carne,
Sem o medo do abandono.
Nós aqui só para aqui estarmos bem.
Nós aqui porque a água nos espera,
Porque o mundo nos confia
Esta irresistível vontade
De contrariar para viver.