terça-feira, 8 de maio de 2012

A Roda

O destino não mente.
Ele desmente.
Os corações de pessoas é que mentem
    para o destino
    que já vem vindo
    sem saber de nada.
O destino não tem pressa.
O destino não entende
    e segue contente traçando planos
    e cruzando vidas, indiferente.

    

sábado, 5 de maio de 2012

Motivos

Penso que só existe um lugar onde o concreto e o irreal coexistem pacificamente e são interdependentes.
Penso também que um único martelo existe capaz de rasgar sem ferir nossas entranhas, aquelas que brotam na alma.
Penso que me mutilo e cicatrizo sem dores nas palavras rejuntadas nos versos que faço.
Destas todas, encontro a matéria de que são feitos os sonhos.
Poesia.
Preciso. Para sobreviver, escrevo.

Entrementes

Entrementes,
Estreou sorrridente
Um colibri vadio,
Consensualizado são.
     -Rasteira fala da palavra escrita.
      Mente eternizada e estreante.
Entrementes, o toque de mãos gigantes
Amortalhou o sonho.
     -Clara noção dos verbos perdidos,
       Repente transpassado
       Da agonia dos signos.
Entrementes,
A força solerte do desaguar bandido
Solapa, impune e vã,
A eternidade
Soletrada.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Down Breque!

É preciso derrubar o final da cerveja
E abrir outra.
E embalar o suave da vontade louca.

É preciso viver o inferno,
Sorrir ao diabo
E puxar-lhe a cauda.

E se desta vez,
O urubu suavemente amarelo
    da intolerância medíocre
    (leia-se senso da impunidade)
Pousar em nossos olhos,
É preciso derreter a manteiga do sonho
E fritá-la em bolos.;

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Indisciplina

Combinações de cores
não seguem protocolos.
Amarelo com vermelho,
Azul com verde,
verde decantando até o amarelo
passeando pelos azuis.
Bem faz a natureza em
não seguir padrões,
catálogos nem etiquetas.


domingo, 22 de abril de 2012

Estrelas

Ontem, tentei explicar para um menino o que são estrelas.
Mostrei o céu nublado,
Falei do Cruzeiro do Sul, Três Marias,
Das poucas que escapavam do cerco das nuvens,
Das raras que sei o nome.
Da infinitude dos céus e seus brilhos.
Hoje, tardinha, sol caindo,
Ele me ,mostra contente a que escolheu para "sua" estrela.
E era Vênus, nosso planeta vizinho.
Resolvi, por melhor, elogiar sua escolha...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Céus e Ventos

Céus do sul, as estrelas do sul, os ventos do sul...
Emaranhado de poeira e pedras e murmúrios,
cheiros e gentes e réstias de rastros do mercúrio da iluminação pública.
Rejeitos e descartes arrastados rente ao fio das calçadas.
Cheiro enjoado dos restos e sobras desperdiçadas,
dos solados imundos que trilham atalhos saturados,
cheiro de desejos mofados e medos construídos.
Céus de meu sul, pacientes no aguardo paciente,
Estrelas de meu sul, febris em seu brilho sacrificial,
Ventos de meu sul, enovelando-se impotentes
Em nossa pressa desatinada em repudiar a plenitude da vida.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Dissonâncias



Dissonantes prá mim são teus medos

Desta dor muito pouco eles sabem

ao destino, toma logo este bonde

Sai de mim, desatino, olha o rumo

Segue os traços que rasgam as certezas

Negue tudo o que sabes sobre o mal.

Admita que sabes: sou teu mal.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Destino


Não sei porque gosto, mas sei que preciso
do escuro invisível que me junta a ti.
Emaranhas meus gostos, quereres e trilhas,
Condensas sentidos em breu indeciso.

Meus sonhos embotas, gostares me tomas,
procuro teu timbre e não ouço teu pranto.
mas sei que percorres o escuro encanto
Minh'alma roubaste, não ouso fugir.

Em dias comuns, as tormentas me invadem,
Querer, eu não quero, não posso querer.
Procuro e não acho tua sombra sem rosto.

Disfarço e permito que tenhas algemas
de carne, perfume, desejo e desgosto
Deixarmos de nós é impossível de haver.