quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Privilégios dos não-comuns

A estas horas, madrugada-manhã,
Quem ainda resiste ao sono, como eu,
Já se conforma
Em virar o restinho da maddrugada.
Aproveitar a noite que finda,
Remediar bagunças,
Botar estuddos em dia,
Mas aguardar faceira
O soninho que chegará
Antes da próxima meia noite.
Quem tem esta afeição pela madrugada,
Como eu,
Sofre com os esgares do sol,
Bicho lindo ao meio dia,
Insuportável as seis da manhã.
Quem gosta muito(como eu)
da própria compania,
deleita-se com os ruídos
Que só se pode ouvir
Por estas horas.
Êra gente (como eu),
Que nasceu
Com os ponteiros de sono virados!
Obsoletos e reacionários
Os donos da razão
Que nos querem enquadrar nos horários
De quartéis.
Almas rebeladas,
Voamos, pelas madrugadas,
Degustando as delícias
Só disponíveis aos
amantes das madrugadaas alertas
Que não se rendem aos horários
do sono convencional.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Profecias Incorretas

Este milênio é estranho.
Pensava, nos idos de 70,
Que a era de Aquário
Seria a plenitude
da paz, solidariedade,
da arte e do amor.

E agora?
Como conviver
Com todo este ódio social,
Com todo este preconceito,
Com tanta desesperança?

Bons anos,
Os anos 70.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Inveja

Invejo as tartarugas,
Os cágados, os tatus.

Invejo todo e qualquer bicho que tenha uma casca.
Uma casca dura e impenetrável.
Invejo também os animais
que não vivem em matilhas.

Não...
Invejo os animais
Que conseguem viver em matilhas.
Sem canibalismo,
Carnal ou moral.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Trabalhando

Tudo de novo,
Outra vez,
Mesmo jeito,
Igual antes.
Inda bem
que ao menos
É de meu saber
E prática de vida.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sempre Comigo

Não te perdi, meu tio querido.
Te tenho cantando comigo,
tocando vida e violão.
Nunca te perderei, Armindo, tio meu,
Muito mais irmão que tio.
Por isto,
Nunca te chamei de tio.
Te tenho e sempre te terei,
Cantaremos, tocaremos
E outra vez te ouvirei rir.
E contar e cantar.

O rio de Piracicaba
jogou muita água
por meus olhos.

Até daqui um tempo, Mindinho,
Até daqui um tempo.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Considerações Finais

Nem bem sei como soube,
Mas entendi que não quero teu chamado.
Não ouvirei tuas considerações finais.
Os circos, todos eles.
Tem mais de uma saída de emergência,
E além delas,
Eu já havia descoberto
A falha no tecido da tenda.
Lamento não te dar como última alegria,
Meu encarceramento em tua realidade.
Sou agora, como sempre fui,
Absoluta e única dona de miinha alma.

(Final Aldi
Ez dakizu zituen ezagutu ezagutzen dut ,
Baina ez dut zure deia egin nahi .
Ezin izango dut zure itxiera nabarmentzea entzuten .
Zirkuak , den-denak .
Larrialdietarako irteera bat baino gehiago ditu ,
Eta horiek haratago ,
Dagoeneko aurkitu nuen
Karpan ehuna akatsa .
Ez damutuko dut eman duzun azken poza bezala ,
Nire atxiloketa zure errealitatean .
Orain naiz inoiz izan dudan bezala ,
Absolutua eta miinha jabetza esklusiborako haratago)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sorrateira

O tempo virou no fim da tarde.
Aquela chuvinha miúda
Engrossando gotas,
E as estas horas,
Chove torrencialmente.

terça-feira, 16 de junho de 2015

A Lagoa em tempos de friagem

Foram-se os dias e noites de calor.
Os ventos fogem do sul,
Trazem chuvas,
As águas sobem, a praia encurta.
Nestes tempos de friagem
Diminui o lixo, o barulho
E os inconvenientes visitantes.
Em noites de pouca lua,
Estrelas mais assanhadas
Gostam de mostrar-se no céu,
E até as cadentes se deixam ver.
Nestes tempos de frio,
Os juncos da margem rareiam.
E os remos dos pequenos caiaques
Não perturbam os troncos arrastados
Pela correnteza,
abrigo de pequenos peixes
e outros seres.

sábado, 6 de junho de 2015

Projeto Definido

A natureza tem seu curso,
Seus desígnios e suas rotas.
E entendi que,
Depois de uma semana de chuvas,
Tem um olho dágua muito finiho,
No cantinho de meu terreno,
Voltou tímido, esquálido,
Mas está ali.
Os sapos estavam só esperando a chuva,
Que fez uma poça,
Que avisou os sapinhos sem-lagoa.
E no final do dia,
entendemos como e o que será
O terreno, a terra, as pedras,
as plantas, a casa, galpão, cachorros,
e a pequena lagoinhoa com seus sapos
uma tartaruga, e uns dois pintados.



sexta-feira, 5 de junho de 2015

Hey, Dear:

Ei, colega:
Não prometa
O que não pode,
Não garanta
O que não tem,
Não gaste tanta energia
esmerada em up-grades hilários.
Não esqueça quem você é.
Ou então, faça tudo isto.
Tente, esforce-se
Esmere-se,
Sujeite-se, rebaixe-se.
Pague com o restinho de brio
a passagem para o mundo encantado,
que - eu já vivi e não gostei -
Mas troque sua decência
Por seus cinco minuos de glória.
lamento, dear.
Porque eu,
o mundo,
Quem hoje te usufrui,
Quem te tem na coleira,
a nuvem cyber,
Quem já saiu desta desta insensatez,
Quem hoje entendeu a roda da fortuna,
nós não esquecemos.