A chegada do inverno
Trouxe junto uma chuva de pensamentos, revelações,
Dores, alegrias e decisões.
Este inverno trouxe com ele
O rasgar das algemas,
As tristesas prenunciadas.
O vento denso e palpável
Dos sentimentos enfim mostrados
Carrega com ele a paz dolorida da aceitação
Do que finalmente consigo ver.
Bordados e rendas tecidas pelo fio das palavras. Força caudalosa do pensamento que esparrama fantasmas. Água doce em fartura e fome, medo e paz.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Vida e Morte
A vida, já conhecemos,
e dela temos vários pensares.
Mas é pura concretude, será?
A morte, imaginamos,
OU não.
E geralmente, não a desejamos.
Pensar como, quando,
Prevenir, cuidar, temer,
Nada muda
O momento em que ela
Cruzará nossos caminhos.
Pois que, tenho eu a certeza,
De que continuaremos a ser
A mesma essência do que somos agora.
e dela temos vários pensares.
Mas é pura concretude, será?
A morte, imaginamos,
OU não.
E geralmente, não a desejamos.
Pensar como, quando,
Prevenir, cuidar, temer,
Nada muda
O momento em que ela
Cruzará nossos caminhos.
Pois que, tenho eu a certeza,
De que continuaremos a ser
A mesma essência do que somos agora.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Simples Assim
Agora já te sei. Achei.
Sem procura, sem pressa.
Sem nenhum fio de crença,
No tempo certo, te achei.
A lua que alimenta minha alma
Quando chega a manhã,
A não desejada manhã.
A insuportável manha,
Carregando no bucho seu filho sol,
A claridade nefasta
Afasta a leveza
Que só a lua,
A lua, a noite,
Estrelas, lua e noite,
Silêncio e paz da noite,
Me podem saciar.
E depois, sol já alto,
Vozerios, correrias,
Ebulição indesejada,
Ferina e real,
Esfrego os olhos, com raiva,
Misturada ao povario,
Cumpro a jornada indesejada,
E me alimento da certeza
Que aos poucos
A lua e a noite
Reinarão outra vez.
A não desejada manhã.
A insuportável manha,
Carregando no bucho seu filho sol,
A claridade nefasta
Afasta a leveza
Que só a lua,
A lua, a noite,
Estrelas, lua e noite,
Silêncio e paz da noite,
Me podem saciar.
E depois, sol já alto,
Vozerios, correrias,
Ebulição indesejada,
Ferina e real,
Esfrego os olhos, com raiva,
Misturada ao povario,
Cumpro a jornada indesejada,
E me alimento da certeza
Que aos poucos
A lua e a noite
Reinarão outra vez.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Minhas Estações
A vida, por vezes,
Surpreende ao fazer,
Ao contrário das estações,
Seus movimentos.
Se meu verão e outono
Foram invernos,
A proximidade do inverno
Me traz à alma
Um iluminado e cálido
Verão.
Surpreende ao fazer,
Ao contrário das estações,
Seus movimentos.
Se meu verão e outono
Foram invernos,
A proximidade do inverno
Me traz à alma
Um iluminado e cálido
Verão.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Partidas
Sexta,
Já sábado,
Combinam ruídos das festas
Vizinhas
Com o amargor
De lembrar como eram
Em vida,
Os que hoje soube já mortos.
Mas amargura mesmo
É saber que são só
Alguns, mesmo que muitos,
E que muitos e muitos outros
Logo ou longe,
Seguirão o mesmo
Rumo.
Já sábado,
Combinam ruídos das festas
Vizinhas
Com o amargor
De lembrar como eram
Em vida,
Os que hoje soube já mortos.
Mas amargura mesmo
É saber que são só
Alguns, mesmo que muitos,
E que muitos e muitos outros
Logo ou longe,
Seguirão o mesmo
Rumo.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Adeus
Conforta-me saber
Que nada perdi,
Pois que nunca
Possuí.
Adeus,
Tua falta em mim
É abundância
E fartura.
Tua falta ´
É a única fome
Que me sacia.
Que nada perdi,
Pois que nunca
Possuí.
Adeus,
Tua falta em mim
É abundância
E fartura.
Tua falta ´
É a única fome
Que me sacia.
Saberes
Penso que de tudo,
Um pouco, bem pouco,
Sei.
Ou imagino como ser,
Ou já imaginei,
Ou pensei
E quis ou não conhecer.
Mas certo que
Também sei o enorme,
O imenso
Que não sei,
E que nem nunca sequer
Ousei sonhar haver.
Definitivo,
Sei o universo que
Quero conhecer.
Um pouco, bem pouco,
Sei.
Ou imagino como ser,
Ou já imaginei,
Ou pensei
E quis ou não conhecer.
Mas certo que
Também sei o enorme,
O imenso
Que não sei,
E que nem nunca sequer
Ousei sonhar haver.
Definitivo,
Sei o universo que
Quero conhecer.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
A nunca suficiente proteção
Cuidado:
Praças de guerra urbana
Transbordam dos becos irregulares
Invadem zonas de respeito
Perturbam a decência
Do cidadão de bem.
Mas que culpa tem ele,
Atrás de sua janela blindada,
De suas grades
De aço carbonado,
Seu alarme digital?
Paga impostos,
E ainda assim,
Seguranças pessoais a postos,
Câmeras, paredes reforçadas,
E ainda assim,
Não dorme.
Pensa que é medo de bala sem nome
Os pavores que sente
Sem se dar conta
Que insuportável mesmo
É conviver consigo próprio
E os horrores do preconceito
De seu orgulhoso e nojento pensar.
Praças de guerra urbana
Transbordam dos becos irregulares
Invadem zonas de respeito
Perturbam a decência
Do cidadão de bem.
Mas que culpa tem ele,
Atrás de sua janela blindada,
De suas grades
De aço carbonado,
Seu alarme digital?
Paga impostos,
E ainda assim,
Seguranças pessoais a postos,
Câmeras, paredes reforçadas,
E ainda assim,
Não dorme.
Pensa que é medo de bala sem nome
Os pavores que sente
Sem se dar conta
Que insuportável mesmo
É conviver consigo próprio
E os horrores do preconceito
De seu orgulhoso e nojento pensar.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Tintas, lãs, e seus desmandos
Antes de mestiçar tintas
Urge em mim alinhavar palavras.
Poderia ser também
Desalinhar os embaraços
De novelos de lã mal-guardados,
Ou tocar uma canção de estrada,
Ou lixar meus porongos
Ou miçangar meus agês.
Mas nestes tempos, agora,
As tintas andam salientes
Feito moças virgens e pegajosas
Ou esposaas ciumentas.

Urge em mim alinhavar palavras.
Poderia ser também
Desalinhar os embaraços
De novelos de lã mal-guardados,
Ou tocar uma canção de estrada,
Ou lixar meus porongos
Ou miçangar meus agês.
Mas nestes tempos, agora,
As tintas andam salientes
Feito moças virgens e pegajosas
Ou esposaas ciumentas.

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