O abril chega tímido.
Seu outono não demonstra entusiasmo,
Rapazote tímido,
adolescente por despertar..
O verão, por sua vez,
Assanhado e sorridente,
Vale-se de seus pequenos favores
Grandes concessões.
Minúsculas,
Peles que se roçam ao acaso,
Suores, calorões,
E teima em ficar.
O verão deste ano
Lembra pessoas tão apegadas à vida
Tão temerosas da morte
Que desafiam os anos
Contrariando a ordem natural
Nascer, crescer, criar, morrer.
E assim sendo,
Pouco teremos de outono,
Pois o inverno chegará com toda sua fúria,
Teimando, como o verão, em dar vazão
à primavera em seu tempo.
Bordados e rendas tecidas pelo fio das palavras. Força caudalosa do pensamento que esparrama fantasmas. Água doce em fartura e fome, medo e paz.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
A Salamandra
Desviam minha atenção
Os incensos que queimam.
Na fumaça que sobe
Me dá olhos de cão caçador.
Paciente, aguardo,
Tomada por fascinante obscessão.
Eis que por frações,
Por minúsculos e incertos quadros,
Percebo a dança das mulheres esguias,
Longa e farta cabeleira vermelha,
Dando vida ao fogo,
Como fazem as Salamandras.
Os incensos que queimam.
Na fumaça que sobe
Me dá olhos de cão caçador.
Paciente, aguardo,
Tomada por fascinante obscessão.
Eis que por frações,
Por minúsculos e incertos quadros,
Percebo a dança das mulheres esguias,
Longa e farta cabeleira vermelha,
Dando vida ao fogo,
Como fazem as Salamandras.
Meus Mares
Descobri agora um novo mar.
Mais um,
Pleno de cores, formas,
O cheiro da tinta e dos solventes
Sedutores e catárticos como já foram
Os acordes musicais,
Os passos da capoeira,
As linhas formando mantas,
Bordados tecendo mimos,
As palavras formando rimas,
Ideias criando pontes,
Meus gritos calando dores,
A magia trazendo a paz.
Descobri mais um oceano,
E nem tenho noção
De quantos ainda me aguardam.
Mais um,
Pleno de cores, formas,
O cheiro da tinta e dos solventes
Sedutores e catárticos como já foram
Os acordes musicais,
Os passos da capoeira,
As linhas formando mantas,
Bordados tecendo mimos,
As palavras formando rimas,
Ideias criando pontes,
Meus gritos calando dores,
A magia trazendo a paz.
Descobri mais um oceano,
E nem tenho noção
De quantos ainda me aguardam.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Salto
As guerras pessoais
Começam quando paramos
de só acalentar nossos sonhos,
abandonamos pelo caminho
as mantas que protegem nossos desejos,
e deixamos ao relento
As maneiras polidas
Que arrancam de qualquer alma
as mínimas chances de felicidade.
Pois creiam,
Claro que geramos com isto
uma gigantesca tempestade convulsiva.
Que apavora e assombra
as pessoas de bem.
Porém, creiam:
Mágoas, raivas, medos,
decepções e incompreensões
São um preço muito, muito pequeno
valoradas com nossa paz.
Começam quando paramos
de só acalentar nossos sonhos,
abandonamos pelo caminho
as mantas que protegem nossos desejos,
e deixamos ao relento
As maneiras polidas
Que arrancam de qualquer alma
as mínimas chances de felicidade.
Pois creiam,
Claro que geramos com isto
uma gigantesca tempestade convulsiva.
Que apavora e assombra
as pessoas de bem.
Porém, creiam:
Mágoas, raivas, medos,
decepções e incompreensões
São um preço muito, muito pequeno
valoradas com nossa paz.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Borrões
sábado, 22 de março de 2014
Ao fim de romance
Sou insana,insensata,
inconstante,incontida e intensa.
Sinto as dores alheias,
mas aprendi que nada posso por elas fazer,
se sanar tais dores depender
de me manter cativa.
Não sei ser presa,
Não sei sentir o amor único e perseverado,
Não sou mulher de poucos donos,
sou mulher de dono nenhum.
Hoje já não choro ao despedir-me
de amores arrebatados,
das paixões imensuradas,
mais importantes que meu ar,
meu alimento,meu sangue.
Já não lamento as lágrimas alheias
pelos finais por mim previstos.
Nem me incomodam os comentários alheios
sobre o sofrimento e tristeza
dos fracos que não sabem
da alternância eterna dos amores,
pois que amar é eterno,
mas os amores são todos,
irremediavelmente,
temporais.
inconstante,incontida e intensa.
Sinto as dores alheias,
mas aprendi que nada posso por elas fazer,
se sanar tais dores depender
de me manter cativa.
Não sei ser presa,
Não sei sentir o amor único e perseverado,
Não sou mulher de poucos donos,
sou mulher de dono nenhum.
Hoje já não choro ao despedir-me
de amores arrebatados,
das paixões imensuradas,
mais importantes que meu ar,
meu alimento,meu sangue.
Já não lamento as lágrimas alheias
pelos finais por mim previstos.
Nem me incomodam os comentários alheios
sobre o sofrimento e tristeza
dos fracos que não sabem
da alternância eterna dos amores,
pois que amar é eterno,
mas os amores são todos,
irremediavelmente,
temporais.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Antes e Agora
Uma vez, faz muito tempo,
Eu queria saber todas estas coisas
Que agora eu sei
E que nem são tão assim, assim.
Queria poder sair com qualquer tempo
E a qualquer hora.
Queria não precisar chorar nem ter medo.
Aquela vez,
Eu tinha tanto pânico de meus segredos,
Que até perdia o sono,
Pensando que alguém
Pudesse imaginá~los.
Aquela época eu até achava
Que nem ia durar tanto tempo
Quanto estou durando até agora.
E agora, queria alguns segredos que apavorassem,
Não tenho motivos para sair a qualquer hora,
Nem paciência para ter medo ou chorar.
Ainda bem que, felizmente,
não me transformei
em um destes adultos que atemorizam
os adolescentes
antes que eles descubram a farsa
da autoridade imposta e cruel.
Eu queria saber todas estas coisas
Que agora eu sei
E que nem são tão assim, assim.
Queria poder sair com qualquer tempo
E a qualquer hora.
Queria não precisar chorar nem ter medo.
Aquela vez,
Eu tinha tanto pânico de meus segredos,
Que até perdia o sono,
Pensando que alguém
Pudesse imaginá~los.
Aquela época eu até achava
Que nem ia durar tanto tempo
Quanto estou durando até agora.
E agora, queria alguns segredos que apavorassem,
Não tenho motivos para sair a qualquer hora,
Nem paciência para ter medo ou chorar.
Ainda bem que, felizmente,
não me transformei
em um destes adultos que atemorizam
os adolescentes
antes que eles descubram a farsa
da autoridade imposta e cruel.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Lua!
Só mesmo a lua cheia
tem destas coisas
de transformar
qualquer nebulosidade parda
daquelas que tentam embrulhar nossa alma
Em papéis coloridos,
laminados
e cheios de brilho,
Barulhentos e festivos.
Lua, tudo!
tem destas coisas
de transformar
qualquer nebulosidade parda
daquelas que tentam embrulhar nossa alma
Em papéis coloridos,
laminados
e cheios de brilho,
Barulhentos e festivos.
Lua, tudo!
De punhal na mão para enfrentar a foice. E vencer.
Algumas ocorrências são arrasadoras.
São cruéis,
São aquelas que nos trazem o pior
de todos os sentimentos:
A impotência.
A morte não nos torna impotentes,
Ela é inexorável,
Nós passamos a vida ou a esperando,
ou a temendo,
ou a ignorando.
O que nos arrasa é o que nos priva
da razão.
O que desconhecemos.
Depois que descobrimos
a fonte de todos e quaisquer
dos horrores que podem nos assaltar,
acaba-se o pavor.
Conhecer o que nos afronta
confrontar o que nos tortura
transforma o pior dos pesadelos
num sonhozinho à toa
Que logo desvanece
Quando a luz do sol vem iluminar nossa manhã.
E então entendemos que não temer a morte
é o que nos faz mais e mais
resistente a ela e a todas as suas mazelas.
São cruéis,
São aquelas que nos trazem o pior
de todos os sentimentos:
A impotência.
A morte não nos torna impotentes,
Ela é inexorável,
Nós passamos a vida ou a esperando,
ou a temendo,
ou a ignorando.
O que nos arrasa é o que nos priva
da razão.
O que desconhecemos.
Depois que descobrimos
a fonte de todos e quaisquer
dos horrores que podem nos assaltar,
acaba-se o pavor.
Conhecer o que nos afronta
confrontar o que nos tortura
transforma o pior dos pesadelos
num sonhozinho à toa
Que logo desvanece
Quando a luz do sol vem iluminar nossa manhã.
E então entendemos que não temer a morte
é o que nos faz mais e mais
resistente a ela e a todas as suas mazelas.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Ao meu Mestre
Nem um pouco importam as aparências,
De nada serviram os maledicentes,
Não importa o que digam.
Já trilhamos muitos caminhos,
Já matamos tantos leões,
Já nos perdemos e achamos
Em tantos e tantos medos
Que jamais estaremos
Um do outro sozinhos.
A ti meu irmão,
Força bruta de minha inteligência,
Faro de minha intuição,
Porto certo nos descaminhos,
Filho-pai, professor aprendiz,
Nunca importou o que disseram
Os sem-inteligência,
Os sem-capacidade,
Os sem-brilho.
Estaremos sempre juntos,
Como sempre estivemos.
E isto, nem a mais furiosa besta-fera
Tomada de fúria e inveja
Conseguiu, consegue ou conseguirá mudar.
Somos feitos da mesma matéria,
Temos os mesmos sonhos,
Nós e os nossos somos todos um.
Pedaço não-sexuado de minha alma,
A ti, meu Mestre,
Todo o meu amor e meu carinho.
De nada serviram os maledicentes,
Não importa o que digam.
Já trilhamos muitos caminhos,
Já matamos tantos leões,
Já nos perdemos e achamos
Em tantos e tantos medos
Que jamais estaremos
Um do outro sozinhos.
A ti meu irmão,
Força bruta de minha inteligência,
Faro de minha intuição,
Porto certo nos descaminhos,
Filho-pai, professor aprendiz,
Nunca importou o que disseram
Os sem-inteligência,
Os sem-capacidade,
Os sem-brilho.
Estaremos sempre juntos,
Como sempre estivemos.
E isto, nem a mais furiosa besta-fera
Tomada de fúria e inveja
Conseguiu, consegue ou conseguirá mudar.
Somos feitos da mesma matéria,
Temos os mesmos sonhos,
Nós e os nossos somos todos um.
Pedaço não-sexuado de minha alma,
A ti, meu Mestre,
Todo o meu amor e meu carinho.
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